Fátima Santos Apresenta
… Woody Mann, o segundo espectáculo desta série, no passado sábado, proporcionou o raro privilégio de assistir a um concerto de um grande guitarrista. Woody Mann, um nativo de Queens, New York, é um notável guitarrista de “picking”, um estilo caracterizado pela interpretação simultânea de acordes e melodias, com a utilização dos dedos polegar, indicador e médio da mão direita, enquanto os restantes dedos repousam no tampo da guitarra, como fazem os tocadores de guitarra portuguesa. Isto complementado por afinações específicas (neste concerto, Woody tocou sempre com a sexta corda em D), possibilitando acordes abertos
(cordas soltas), faz desta música algo tremendamente excitante no plano emocional e absolutamente orquestral no plano intelectual.
Woody Mann foi discípulo do Reverendo Gary Davis, um lendário intérprete de “blues”, “gospel” e “ragtime”. Acompanhou artistas como John Fahey, Jo- Ann Kelly, Bukka White e Son House. Estudou na famosa Julliard School e aprofundou a sua arte de improvisação com o inovativo pianista de “jazz” Lennie Tristano. Nos últimos anos trabalhou com o grande guitarrista Attila Zoller. E ainda teve tempo para ser instrutor de guitarra de Paul Simon e acompanhar a portuguesa Diana Silva . Entre constantes digressões pelas mais improváveis partes do mundo, gravou muitos CD’s, dos quais destaco “Lisboa”, “When I’ve Got The Moon” (com Susanne Vogt) e “Road Trip”.
“Lisboa” foi a primeira interpretação da noite. Uma belíssima balada em tempo de valsa, mostrou uma perfeita autonomia entre linhas de baixo e melodia. É esta tensão entre as duas linhas, adicionada a um estilo muito percussivo na utilização do polegar, que confere todo o “swing” às interpretações de Woody. “Three Not Four” foi o tema seguinte, repleto de “basso ostinato” e suspensões, a fazer-nos viajar até ao delta do Mississippi. Neste momento começamos a encontrar alguma analogia entre esta técnica de digitação em guitarra e a dos tocadores de banjo. “Little Brother” é uma balada melancólica, na qual Woody surpreende com cantor e como produtor de sons em “sliding”. Com a progressão no concerto, Woody Mann mostra uma crescente complexidade em termos harmónicos,
tal como na introdução ao tema “Mr. Guitar”, uma progressão que poderia fazer muito bem parte de qualquer tema “bebop”. Uma forte sincopação produz o irresistível apelo de se bater o pé nos tempos 2 e 4, efeito a que se convencionou chamar de “swing”, essa misteriosa essência do “jazz”. “It Will Be All Right” é mais uma estória cantada, ao estilo de Ray Charles, um dos confessados ídolos do artista.
Com o próximo tema (do qual não consegui reter o título…), temos a sensação de viajar de comboio, algures no sudoeste, levados pelos sons da máquina e da natureza, tudo produzido por percussões corda-tampo, “slides” e “bends”, em torno de acordes extremamente dissonantes. “God Works In Mysterious Ways” foi a balada que se seguiu, produzida a partir de acordes abertos, uma sonoridade muito celta, cultura a que a música americana tanto deve. O ultimo tema a solo foi “Aflenz”, nome de uma pequena vila na Áustria, e que constituiu uma mostra de grande virtuosismo, não somente composicional, mas também interpretativo, com arpejos rapidíssimos ao estilo do “jazz” cigano de Django Reinhardt. Woody Mann finalizou o concerto com guitarra portuguesa, convidando José Luis Iglésias para o acompanhar
em “Dança Palaciana” e “Verdes Anos” (Carlos Paredes) e Fátima Santos para cantar “Canção do Mar”, “Barca Bela” e “Malhão de São Simão”.
Este concerto de Woody Mann foi patrocinado por: The Petillos Family, Pires & Pires e S & M Masonry.
Opróximo “Fátima Santos Apresenta …”, no dia 30 de Novembro, vai ser um espectáculo de música brasileira, com Jamur Fressato (saxofone e piano), Pedro Ferreira (baixo) e Edgar Almeida (bateria).
Mais informações: www.fatimasantos.com ou 908-403-2609.

















